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Infraero só investe 11% da verba

Ontem, o Ministério do Planejamento divulgou dados que mostram como está baixa a taxa de execução do dinheiro liberado.

No primeiro semestre deste ano, foram gastos apenas 11% (R$165 milhões) do total da dotação anual à disposição da Infraero, de pouco mais de R$1,5 bilhão

O Globo, por Miguel Caballero

Considerada pelo próprio Comitê Organizador o maior desafio para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a reforma dos 13 aeroportos brasileiros das cidades-sede receberá mais de R$5 bilhões de investimentos do governo federal, que estipula o prazo de abril de 2014 para todas as obras estarem concluídas. No ritmo que a Infraero está executando a verba que já recebe, a meta dificilmente será alcançada. Como mostrou O GLOBO na última sexta-feira, a estatal que administra os aeroportos do país precisará ao menos dobrar o ritmo da aplicação da verba destinada aos aeroportos.

Ontem, o Ministério do Planejamento divulgou dados que mostram como está baixa a taxa de execução do dinheiro liberado. No primeiro semestre deste ano, foram gastos apenas 11% (R$165 milhões) do total da dotação anual à disposição da Infraero, de pouco mais de R$1,5 bilhão.

Obras lentas no Galeão

Este é o total previsto para ser investido em 42 obras em andamento do país, entre ampliação e reforma de aeroportos. Três delas estão sendo feitas no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, um dos que mais devem receber turistas para a Copa do Brasil.

De acordo com estudo feito pela ONG Contas Abertas, que fiscaliza o investimento do dinheiro público, com base nos dados fornecidos pelo Ministério do Planejamento, a execução da verba destinada para as obras no Galeão está lenta. Dos R$37,3 milhões previstos para serem gastos em 2010 na reforma do terminal de cargas, apenas R$954 mil (2,5%) foram aplicados na primeira metade do ano.

A recuperação do sistema de pistas e pátios do Galeão deveria consumir R$43 milhões no ano, mas, passado o primeiro semestre, só foram investidos R$11,4 milhões (25,6%). A terceira obra é a revitalização e modernização do Terminal 1 e das instalações de apoio do Galeão, para a qual estão reservados R$32,2 milhões no ano, mas só foram utilizados R$ 9,8 milhões (30,4%).

Na semana passada, o presidente da Infraero, Murilo Barboza, afirmou que um dos motivos para a desaceleração do ritmo da aplicação da verba foi a determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) de paralisar obras em cinco aeroportos, além de restrições impostas pela Lei de Licitações, que tornam o processo de contratações para as obras mais demorado.

O montante total de que a Infraero dispõe contempla também obras em aeroportos fora das cidades-sede da Copa do Mundo do Brasil.