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Em Pernambuco, Lula cobra agilidade nas obras da Nova Transnordestina

Em Pernambuco, o presidente Lula disse que ao deixar o Planalto vai percorrer o Brasil para apontar o que precisa ser feito e o que está errado. Nesta terça-feira, 17, o Presidente visitou Salgueiro, onde autorizou o início da construção dos primeiros 50 km da Ferrovia Transnordestina no trecho Missão Velha-Aurora, que terá investimentos de R$ 163 milhões e empregará 1,2 mil trabalhadores. A estrada vai ligar os estados de Pernambuco, Ceará e Piauí para escoar a produção do Nordeste.

Em entrevista a rádios da região, Lula fez uma provocação ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Disse que depois de deixar o governo vai percorrer o país para fiscalizar obras em andamento. “Quem pensa que eu vou deixar a Presidência e vou para Paris, e vou para Harvard, e vou não sei para onde, não. Eu vou vir para o sertão brasileiro, vou viajar esse país inteiro pra ver o que eu fiz, ver o que eu não fiz, se tiver uma coisa errada, pegar o telefone e ligar pra minha presidenta: olha, tem uma coisa aqui errada, pode fazer, minha filha, que eu não consegui fazer”.

Em Missão Velha, no Cariri, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos assinou a ordem de serviços. A solenidade foi transmitida simultaneamente de Missão e Salgueiro, onde se estava o presidente Lula. O ministro Passos, ao lado do Secretário da Infraestrutura do Estado, Adail Fontenele e do presidente do Metrofor, Rômulo Fortes - destacou as obras que foram inauguradas ontem em Salgueiro: uma fábrica capaz de produzir 4.800 dormentes por dia, uma usina de britagem com capacidade de produzir 4.250 metros cúbicos de brita diariamente e um estaleiro de solda.

Com elogios ao presidnete Lula, o prefeito de Missão Velha Washington Fechine, que destacou a importância econômica da ferrovia para o Nordeste e, particularmente, para Missão Velha, onde ficará o entroncamento da via férrea. “A Ferrovia permitirá a integração da estrutura produtiva do Nordeste com as demais regiões brasileiras, unindo três pontos do sistema ferroviário do Nordeste - Missão Velha (CE), Salgueiro (PE) e Petrolina (PE), possibilitando, assim, o desenvolvimento econômico de diversos setores em sua área de abrangência, especialmente o polo gesseiro do Araripe e o polo agroindustrial de Petrolina e Juazeiro”.

Passos lembrou que a obra emprega cerca de oito mil trabalhadores. O investimento é de 5,4 bilhões de reais, na construção de 1.728 km de ferrovias. Só no Ceará são mais de 600 quilômetros. O primeiro trecho, que começa em Eliseu Martins, no Piauí, será concluído em 2012. No Ceará ainda não há previsão.

O projeto prevê a interligação com a Ferrovia Norte-Sul, a partir de Eliseu Martins (PI) até o município de Estreito (MA). A obra irá remodelar 550 km de ferrovia entre os municípios de Cabo (PE) e Porto Real do Colégio (AL), fazendo conexão com a malha ferroviária que desce ao sudeste. Serão 1.728 km de ferrovia, dos quais 823 km estão em execução. Os trechos com as obras mais avançadas, entre Missão Velha e Salgueiro, com 96 km, e entre Salgueiro (PE) e Trindade (PE), com 163 km, serão concluídos em dezembro de 2010. A ferrovia deve gerar 550 mil empregos (diretos e indiretos) e terá capacidade de transportar 30 milhões de toneladas de carga por ano.

Atrasos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a culpa pelo atraso das obras é da Justiça, do Ministério Público e nas pessoas de “olho gordo” por deixarem no papel boa parte do trecho da ferrovia Transnordestina. “É um verdadeiro inferno concluir um projeto desta magnitude”, reclamou. “A quantidade de obstáculos que se apresenta para a gente construir uma coisa é muito grande. Primeiro, tem o projeto, depois a licença ambiental, depois a licitação, depois a desapropriação e depois uma briga no Judiciário que é interminável.”

“Vocês não sabem que a inveja é uma doença. Não tem nada pior do que olho gordo”, disse a trabalhadores que acompanharam o discurso.

De acordo com os diretores do consórcio de construção da ferrovia, apenas 30% das obras de terraplenagem foram concluídas. O maior atraso está no trecho final em Pernambuco, entre Belém de Maria e Escada (55 quilômetros) e de Escada a Suape (64 quilômetros). Nestes dois lotes, os contratos para início das obras não foram assinados.  A uma plateia formada por trabalhadores do canteiro em Salgueiro, o presidente se queixou de juízes, que teriam aceito pedidos de interrupção das obras por parte de quem reclamava indenização de terras. “Não pensem que é fácil fazer as coisas”, disse. “Vocês não sabem que a inveja é uma doença”, completou. “Não tem nada pior do que olho gordo.”

Agência T1, com agências